Surdo, Leonildo de Oliveira cai no choro ao ser campeão no tênis de mesa

Olimpíada das APAES, que termina nessa quinta-feira, é marcada pela emoção de participantes e torcedores.

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Leonildo cobre o rosto com a toalha, como se não acreditasse no feito que acabara de produzir. Foto: Antônio Prado.

     Quarta-feira, dia 8, Gaspar. Silêncio no ginásio da Sociedade Gasparense Esporte Clube. Final do tênis de mesa masculino da Olimpíada das APAES para atletas com deficiência intelectual. No placar 1 a 1. Para o atleta surdo Leonildo de Oliveira, de Videira e da Regional Planalto, é o último ponto que precisa para ser campeão estadual, já que o placar no set está 10 a 7 para ele. Do outro lado da mesa o adversário é Deivid da Silva Radicheski, de Blumenau e da Regional Médio Vale do Itajai.

     Leonildo pega a bola, joga ela no ar a cerca de quase um metro de altura sobre sua cabeça e num tiro certeiro e seco saca. Usa o saque mortal que derrubou todos os seus adversários na competição. O adversário, imponente,  rebate a bola para fora. E numa explosão de alegria o garoto corre, por um momento desnorteado, e vai em direção a sua professora  Mari Ângela para dar-lhe um demorado abraço de campeão. No placar 2 x 1.

     Em seguida as pessoas que estão em volta começam a abraçar o mais novo campeão da Olimpíada das APAES. Leonildo cobre o rosto com a toalha, como se não acreditasse no feito que acabara de produzir. Tenta sorrir. Tenta ficar sério. Tenta ficar lúcido. Tenta. Tenta. Não consegue. Num misto de adrenalina, emoção e nervosismo o campeão cai no choro compulsivo. Chora como uma criança.

     Talvez em sua cabeça tenha passado o filme das quatro horas diárias de treinamento na Apae de Videira. Talvez em sua mente vieram os ensinamentos da professora Mari. Sem poder falar, por conta de sua deficiência, não externou oralmente o que estava sentido. Não precisava. Talvez nada desses pensamentos tenham ocorrido. Àquela altura talvez fosse só a emoção do momento. Afinal não é todo dia que se é campeão estadual.

     Naquele mar de mãos a lhe abraçar parecia estar sufocado. Desvencilha-se dos abraços e sai de quadra. Queria um momento só seu; solitário. Busca um espaço vazio no chão do ginásio logo após o último degrau da arquibancada. Ali, sozinho, cai novamente no choro compulsivo com a toalha sobre o rosto. Saboreava, ao seu modo, a conquista histórica. Aquele momento era dele. Só dele. Até que um dirigente se aproxima e lhe abraça. O gesto interrompe, talvez, um momento de introspecção, já que no ato continuo o garoto levanta e vai para a arquibancada junto com sua galera a receber mais abraços.

Momento Leonildo: Ele pega a bola, joga ela no ar sobre sua cabeça e, num tiro certeiro e seco, saca.

    Entre as mulheres a decisão, pode-se dizer assim, foi mais tranquila e em pouco mais de 10 minutos de jogo Caroline Susane Berndt, de Timbó e da Regional Médio Vale, foi campeã ao vencer por 2 a 0 a Ivania Zenilde da Silva, de Aberlardo Luz e da Regional Oeste.

    Bem articulada a campeã disse que o título era esperado. “Eu já sabia que ia ganhar, pois eu confiava em mim. Eu vou agora para o campeonato brasileiro e tenho certeza que farei melhor do que fiz aqui em Gaspar”, encerrou a entrevista cheia de confiança.

     A 21ª edição da Olimpíada das APAES se encerra nesta quinta-feira, dia 9. A competição teve início dia 6 com a participação de mil estudantes de 190 Apaes de Santa Catarina, cujos times na competição são representados por seleções regionais das instituições.
Gaspar sedia a competição em alusão aos 35 anos da Apae local, que promove o evento em parceria com a Fesporte, Federação das APAES do Estado de Santa Catarina e Assembleia Legislativa (Alesc).

Texto e fotos: Antonio Prado

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