Assediado, Dílzon troca ADIEE por equipe paulista de basquete

Atletas até 15 anos estão isentos do vínculo com o clubes ou a entidades que os formou.

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              O ala do time Sub 17 da Associação Desportiva do Instituto Estadual de Educação (ADIEE), Dílzon da Rosa Guilherme, 15 anos, é mais um jogador a fazer parte do histórico que permeia os meios esportivos tidos “amadores” do nosso esporte. Revelado nas quadras do Instituto Estadual de Educação (IEE), onde iniciou seus estudos há seis anos, Dílzon foi seduzido por uma proposta de transferência para um clube de basquete de Campinas-SP.

                Para o jogador, de origem familiar humilde, uma oportunidade única. Uma porta que se abre com perspectivas profissionais futuras. Já para a entidade que ao longo dos últimos seis anos dedicou-se em investimentos na formação e manutenção do atleta, fica uma ponta de frustração quanto ao modo como a questão foi encaminhada.

               “Eles apelam para os sonhos das crianças, seduzem o jogador e os pais e tiram o atleta sem, sequer, nos consultar. Tem gente que ainda não descobriu o sentido da ética. Lamentável. Atitudes assim nos entristecem muito”, comentou o técnico Kênyo Nunes. referindo-se a um ex-treinador de Joinville que considera responsável pelo assédio no Dilzon.

               Conforme o irmão e procurador, Edgar José da Rosa, Dílzon vem recebendo propostas para outros clubes desde meados de 2015, quando ganhou destaque atuando pelo time da ADIEE nas finais do Campeonato Estadual Sub 13. “A família sempre entendeu que ele precisava amadurecer mais como jogador e sempre recusou os convites, mas hoje entende que chegou o momento certo para uma nova oportunidade”, declarou Edgar.

              “Isso pra mim significa o início de uma nova jornada. Meu sonho é ser um jogador de basquete e jogar num time de alto nível como é o Campinas e disputar um campeonato paulista, onde vou encontrar jogadores melhor que eu é muito bom”, afirmou Dílzon, por mensagem enviada à redação Cifesc, já em Campinas-SP, onde encontra-se desde a última segunda-feira, dia 29. O atleta recebe, entre benefícios, moradia, bolsa de estudos e uma ajuda de custo mensal para despesas pessoais.

              Ao contrário do futebol, que segue regras profissionais no tratamento de compra, venda e transferências de atletas e o montante financeiro da transação é fatiado entre atleta, empresário, clube formador e até federações, o basquete, como nas outras modalidades, é refém de uma legislação que segue embrionária entre as entidades esportivas, sobretudo nas questões que tratam de negociações envolvendo atletas menores de idade. Atletas até 15 anos estão isentos do vínculo obrigatório com o clube ou a entidade que o formou.

            No caso de Dílzon, o departamento de registros da Federação Catarinense de Basquetebol (FCB) informou que ainda não teve conhecimento oficial da transferência e que para ser homologada, precisará apenas anuência ou liberação do representante da entidade onde atualmente o atleta está vinculado, a ADIEE.

  • matéria atualizada às 14h25 de 31/01/2018.

 

 

 

 

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