Maratona de competições esvazia bancos escolares 

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Por Júlio Castro

Pesquisa desenvolvida pela Central de Imprensa das Federações Esportivas de Santa Catarina (CIFESC) apontou que 28% dos entrevistados (profissionais de Educação Física, dirigentes esportivos e atletas) são favoráveis a um ajuste do calendário esportivo anual pois ele prejudica o desempenho escolar dos atletas. Há ainda os que defendem que o modelo atual atende a demanda esportiva catarinense (22%) e outros 21% pensam que o calendário é incompatível com a realidade financeira dos municípios e federações. 20% do total afirmam que o calendário gera conflito entre federações e Fesporte.

Questão foi abordada junto a dezenas de profissionais, especialmente gestores esportivos.

O esporte, considerado por uma ampla maioria de estudiosos como fator eficaz de integração social, além de proporcionar experiências que possam revelar talentos para uma carreira esportiva, também pode contribuir, excessiva e negativamente, ao rendimento escolar de seus praticantes na ausência de um calendário apropriado. Não se trata de uma questão específica catarinense uma vez que gestores esportivos de outros estados compartilham do mesmo problema.

A inserção do atleta no extenso calendário esportivo anual vem sendo apontada como fator prejudicial ao desempenho escolar.  Recentemente, pais de alunos atletas proibiram filhos de participar da fase regional da Olimpíada Esportiva Estudantil Catarinense (OLESC) em represália ao baixo desempenho escolar. Mais ausência na escola, menos aprendizado e comprometimento escolar futuro, se defendem.

As faltas escolares anualmente, decorrentes dos compromissos esportivos são preocupantes. Um atleta participante das fases microrregional, regional e estadual dos Jogos Escolares (JESC 15 aos 17 anos) e da Olimpíada Escolar Estudantil Catarinense (OLESC) pode se ausentar do banco escolar por até 50 dias por ano. O regulamento geral de competições da Fundação Catarinense de Esporte (Fesporte) permite que, nesta faixa etária, o atleta ainda pode competir em mais de uma competição (rendimento ou escolar), aumentando significativamente  seu afastamento do ambiente escolar com o agravante  do tempo gasto  – geralmente de um dia –  com os deslocamentos às competições.

Considerando que o ano letivo possui 200 dias, pelo menos um terço (25%) do período, o banco escolar é substituído pelas estradas, ginásios, quadras, piscinas, pistas e campos. Os números revelam apenas o tempo usado nas competições promovidas pelo governo do Estado por meio da Fesporte. Existem, ainda, as constantes participações em competições estaduais e nacionais presentes nos calendários das federações e confederações esportivas.

O envolvimento de um atleta em uma competição escolar nacional, por exemplo, condiciona seu afastamento da escola por até 10 dias. Os campeonatos brasileiros de base que tem participação de atletas em idade escolar duram em média oito dias entre disputas e deslocamentos. Se forem considerados os períodos de preparação, geralmente fora do domicílio do aluno, soma-se até mais cinco dias. O atenuante do contexto é que geralmente parte das competições acontecem entre alguns feriados ou mesmo aproveitando-se os finais de semana.

Mesmo assim, a margem de dias fora do ambiente escolar é excessiva. Um aspecto importante pouco considerado diz respeito a desocupação das escolas para servir de alojamento nos dias de competições. Desocupadas, os alunos matriculados são dispensados dos afazeres escolares enquanto suas salas passam a servir de dormitório de atletas.

“É muito tempo fora das escolas. Já estamos pensando em abrir mão da participação de nossas equipes e comunidade escolar em algumas das competições. Vamos estudar muito a questão”, afirma Renato Valvassori, presidente da Fundação Municipal de Esportes de Criciúma.  Uma das saídas à contenção da “evasão escolar” passa pela proposta de uma cobrança ainda maior quanto a participação nas competições obedecida por faixa etária. “Já temos este dispositivo no regulamento, porém nem sempre a obrigação é cumprida”, comentou um integrante da área de rendimento da Fesporte.

Tomando por base as competições previstas no calendário esportivo da Fesporte, os dias de disputas podem totalizar mais de 120 anuais, considerando os deslocamentos, muito embora nem todos os atletas sejam inscritos em determinadas competições. Abaixo relacionamos algumas competições e o envolvimento de dias previstos no calendário esportivo da Fesporte. Não Foram relacionadas outras competições, entre as quais o Dança Catarina, que possui disputas municipais, microrregionais e regionais, além dos Jogos Paradesportivos Escolares de Santa Catarina (Parajesc).

 

Jogos Escolares de Santa Catarina | JESC 12 a 14 anos

Microrregional: 4 dias

Regional: 5 dias

Estadual: 7 dias

Jogos Escolares de Santa Catarina | JESC 15 a 17 anos

Microrregional: 4 dias

Regional: 5 dias

Estadual: 4 dias

Campeonato Catarinense Escolar de Futebol (Moleque Bom de Bola) | 12 a 14 anos

Microrregional: 4 dias

Regional: 4 dias

Estadual: 5 dias

Olimpíada Estudantil Escolar de Santa Catarina (OLESC) | 13 a 16 anos

Microrregional: 5 dias

Regional: 5 dias

Estadual: 8 dias

Joguinhos Abertos de Santa Catarina

Microrregional: 5 dias

Regional: 5 dias

Estadual: 9 dias

Jogos Abertos de Santa Catarina | JASC

Microrregional: 6 dias

Regional: 6 dias

Estadual: 11 dias

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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