Jogos Abertos de SC 2016 – Realização pouco provável

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               O recente cancelamento da realização dos Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc) em Tubarão, decorrente do forte vendaval do último dia 16 e que danificou significativamente muitas das instalações que seriam utilizadas durante a disputa da competição,  despertou na comunidade esportiva catarinense extrema preocupação. Faltando três semanas para a data originalmente definida para seu início – 11 a 19 de novembro – um misto de incertezas paira sobre a execução dos Jasc.

               Na condição de promotor e financiador do evento, o governo do Estado, ao anunciar oficialmente o cancelamento dos Jasc em Tubarão na última terça-feira (18), sinalizou com a tentativa de definir outra cidade a abrigar a tradicional competição. Diante de fatores, entre eles uma sede compatível com a grandiosidade do evento; as circunstâncias políticas que atravessam as potenciais candidatas – casos de eleições em segundo turno em Blumenau, que detém a melhor infraestrutura –  e os trâmites legais decorrentes da legitimidade de prazos para o repasse de recursos necessários ao financiamento do evento; a incompatibilidade de datas e, somando-se a tudo isso, as dificuldades na reserva de alojamentos em escolas públicas em pleno fechamento do ano escolar, as circunstâncias não são nada favoráveis à consolidação dos Jasc 2016.

               Mesmo em condições adversas,  um movimento, liderado pelo Conselho Estadual de Esporte (CED-SC), tenta buscar alternativas que possam evitar que haja uma vacância e que 2016 não passe em branco no histórico de 55 anos entre os milhares de atletas inscritos na competição. A iniciativa deve contar com o apoio de órgãos vinculados ao sistema esportivo catarinense, entre eles aqueles gestores da Fesporte que estão verdadeiramente comprometidos com a causa; membros do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-SC), dirigentes das federações esportivas, enfim, referenciais que defendem a ideologia e importância dos Jogos Abertos de Santa Catarina para a comunidade esportiva.

               O volumoso investimento já dispensado pelo governo do Estado para com a competição nas dezenas de etapas microrregionais e as quatro fases regionais que movimentaram mais de 20 mil atletas ao longo do ano, deve servir de argumento para atenuar uma eventual saída positiva à questão. Investimentos feitos pelos cerca de 80 municípios classificados à fase Estadual com a contratação, manutenção e reembolso financeiro aos seus atletas também servirão de argumentos. A presidente do CED-SC Michele de Souza informou que vai manter tratativas para mobilizar todos em busca de uma solução.

               Uma das alternativas pouco prováveis, já manifestada e compartilhada por alguns presidentes  de federações é a descentralização da competição, ou seja, alocação de determinadas sedes para disputas isoladas em diversas cidades catarinenses. O tiro, por exemplo, seria disputado em Blumenau; o remo e triatlon em Florianópolis; o ciclismo,  em uma cidade que ofereça todas as condições de suas disputas e o atletismo na pista de Itajaí. O agravante da sugestão é o elevado custo que a individualização das modalidades, por cidades, proporcionará considerando que o governo Estadual sinaliza com a oferta de R$ 1,6 milhão para a realização dos Jasc, porém em sede única.

               Certo mesmo é que uma decisão final sobre a questão deverá sair somente após o segundo turno das eleições municipais nas três principais cidades catarinenses  e que os Jasc 2016 deve entrar para a história como mais um que, por conta de uma intempérie climática,  deixou de ser realizado a exemplo dos anos de 1983 e 2008.

 

 

 

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